quarta-feira, 30 de maio de 2012



2ºs anos: Para entender o que são os PIGS e seus problemas acesse o link:


http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2010/02/09/crise-na-europa-provoca-temor-sobre-recuperacao-mundial.jhtm




Faça um breve resumo em seu caderno pois este assunto fará parte das discussões das próximas aulas.
Boa leitura a todos!

quinta-feira, 17 de maio de 2012


Após a leitura dos textos representar através de ilustrações. Use a sua criatividade!!!


Textos sobre segregação Urbana



Texto 1

(Do livro: O que é cidade – Raquel Rolnik – Ed. Brasiliense – 1988 – pág. 40-43)


Nas grandes Cidades hoje, é fácil identificar territórios diferenciados: ali é o bairro das mansões e palacetes, acolá o centro de negócios, adiante o bairro boêmio onde rola a vida noturna, mais à frente o distrito industrial, ou ainda o bairro proletário. Assim quando alguém, referindo-se ao Rio de Janeiro fala em Zona Sul Ou Baixada Fluminense, sabemos que se trata de dois Rios de Janeiro bastante diferentes; assim como pensando em Brasília lembramos do plano-piloto, das mansões do lago ou das cidades satélites. Podemos dizer que hoje nossas cidades têm sua zona sul e sua baixada, sua "zona", sua Wall Street e seu ABC. É corno se a cidade fosse um imenso quebra-cabeças, feito de peças diferenciadas, onde cada qual conhece seu lugar e se sente estrangeiro nos demais. É a este movimento de separação das classes sociais e funções no espaço urbano que os estudiosos da cidade chamam de segregação espacial.
Entre as torres envidraçadas e gestos tensos dos homens de terno e pasta de executivo, meninas pulando corda e jogando amarelinha estariam totalmente deslocadas; assim como não há travesti que faca michê na porta do Citibank às 3 horas da tarde. Não se vê vitrinas de mármore, aço escovado e neon na periferia, nem lama ou falta d'água no Leblon (Rio), Savassi (Belo Horizonte) ou Boa Viagem (Recife). É como se a cidade fosse demarcada por cercas, fronteiras imaginárias, que definem o lugar de cada coisa e de cada um dos moradores.
As meninas pulando corda e jogando amarelinha, fechadas no pátio da escola, se separam da rua por uma muralha de verdade, alta, inexpugnável; já a fronteira entre um bairro popular e um bairro chique pode ser uma rua, uma ponte, ou simplesmente não ser nada muito aparente, mas somente uma imagem, um ponto, uma esquina. Em algumas cidades, como em Joanesburgo, na África do Sul, placas sinalizam a segregação, indicando os territórios permitidos ou proibidos para os negros. As áreas restritas são protegidas por forças policiais que podem prender quem por ali circular sem autorização. Neste caso, a segregação é descarada e violenta.
A segregação é manifesta também no caso dos condomínios fechados – muros de verdade, além de controles eletrônicos zelam pela segurança dos moradores, o que significa o controle minucioso das trocas daquele lugar com O exterior. Além de um recorte de classe, raça ou faixa etária, a segregação também se expressa através da separação dos locais de trabalho em relação aos locais de moradia. A cena clássica cotidiana das grandes massas se deslocando nos transportes coletivos superlotados ou no trânsito engarrafado são a expressão mais acabada desta separação - diariamente ternos que percorrer grandes distâncias para ir trabalhar ou estudar. Com isto, bairros inteiros das cidades ficam completamente desertos de dia, os bairros-dormitórios, assim como algumas regiões comerciais e bancárias parecem cenários ou cidades-fantasmas para quem a percorre à noite.
Com isto, bairros inteiros das cidades ficam completamente desertos de dia, os bairros-dormitórios, assim como algumas regiões comerciais e bancárias parecem cenários ou cidades-fantasmas para quem as percorre à noite. Finalmente, além dos territórios específicos e separados para cada grupo social, além da separação das funções morar e trabalhar, a segregação é patente na visibilidade da desigualdade de tratamento por parte das administrações locais. Existem por exemplo, setores da cidade onde o lixo é recolhido duas ou mais vezes por dia; outros, uma vez por semana; outros, ainda, onde o lixo, ao invés de recolhido, é despejado. As imensas periferias sem água, luz ou esgoto são evidências claras desta política discriminatória por parte do poder público, um dos fortes elementos produtores da segregação.
Ilustração do Texto 1:

Alunos do 3º EM - 2012
Texto II

(Do livro: "O que é cidade" - Raquel Rolnik – Ed. Brasiliense – 1988 – pág. 43-45)

Na cidade medieval não há segregação entre os locais de moradia e trabalho. A oficina do artesão é sua moradia e ao mesmo tempo é a residência dos aprendizes também. Além de ser local de produção e habitação, é na oficina que se vende o produto do trabalho, de tal forma que todo o espaço do burgo é simultaneamente lugar de residência, produção, mercado e vida social. Uma descrição de Troyes, cidade medieval francesa no século XIII, mostra que a casa de um próspero artesão ocupava os quatro andares de uma edificação - sendo a oficina no andar térreo, a moradia familiar no primeiro e segundo pisos, a dos empregados no sótão e estábulos e armazéns no quintal localizado nos fundos. Artesãos mais pobres viviam em espaços bem mais modestos, mas também trabalhavam no mesmo local onde residiam. Enquanto os homens se envolviam no artesanato, mulheres e crianças também participavam dá produção doméstica - fiando, tecendo, bordando, fabricando o pão, a manteiga e as conservas, cuidando dos animais no quintal. Assim a casa do artesão era simultaneamente uma unidade de consumo e produção na qual engajavam os adultos, jovens e crianças que compunham a família. Neste contexto, portanto, não há separação entre o mundo do trabalho e o mundo da família.
Situação semelhante, do ponto de vista arquitetônico - guardadas as devidas proporções poderia representar o quadro das cidades coloniais brasileiras.
As casas dando diretamente para o alinhamento, o não "zoneamento" da cidade de acordo com funções e classes sociais, a casa como unidade de produção e consumo são características identificáveis em São Paulo, Rio, Recife, entre outras tantas cidades brasileiras até meados do século XIX.
Evidentemente o paralelo entre a vila medieval européia e a cidade colonial brasileira só pode estender-se até certo ponto. Em primeiro lugar, a base da economia, inclusive a urbana, no Brasil colonial era o trabalho escravo e a relação social básica, aquela que liga escravos e senhores, é bastante diferente da relação senhor feudal/servo. O escravo é uma mercadoria de propriedade do senhor, como uma máquina ou uma carroça, que faz parte portanto do inventário de seus bens, podendo ser trocada ou vendida. Já a ligação do servo é, antes de mais nada, com a terra, feudo a que tem direito, por tradição ou conquista, um senhor.
A existência do trabalho escravo marcava a paisagem urbana no Brasil colonial de forma peculiar. Todo o trabalho, da produção doméstica ao transporte de cargas, dos ofícios aos serviços gerais, era a ele entregue. Isto significa que uma das instituições fundamentais na vida de um burgo medieval - o grêmio corporativo - é impensável numa cidade colonial brasileira. Aqui, a senzala, e não a corporação, representava o mundo do trabalho.
Ilustração do Texto II:
Elaborado pelos alunos do 3º EM - 2012
 Elaborado pelos alunos do 3º EM - 2012
Elaborado pelos alunos do 3º EM - 2012 
Texto III

(Do livro: "O que é cidade – Raquel Rolnik – 1988 – Ed. Brasiliense, págs. 45-47)

Do ponto de via espacial há no entanto algumas semelhanças entre os burgos medievais europeus e as cidades coloniais do Brasil. Estas semelhanças residem sobretudo no caráter comunal do espaço urbano; isto é, espaços polivalentes do ponto de vista funcional e misturados do ponto de vista social. Como no burgo medieval, na cidade colonial não existem regiões/trabalho e regiões/moradia, praças da riqueza, praças da miséria. Isto evidentemente não quer dizer que não existiam nestas cidades diferenças de classe ou posição social. Pelo contrário: as distâncias que separavam nobres e plebeus, ricos(popolo grasso – povo gordo, como se dizia então na Itália) de pobres (popolo magro) eram enormes. Estas distâncias, assim como as distâncias entre senhores e escravos nas cidades brasileiras, não eram físicas. Ricos, nobres, servos, escravos e senhores poderiam estar próximos Fisicamente porque as distâncias que os separavam eram expressas de outra forma: estavam no modo de vestir, na gestualidade, na atitude arrogante ou submissa e, no caso brasileiro, também na própria cor da pele. Estes eram sinais de respeito e hierarquia rigorosamente obedecidos porque tinham um fundamento moral: o negro se submetia ao senhor porque a ele pertencia seu corpo; o senhor impunha seu poder ao negro, acreditando ser ele apenas um instrumento, não um ser humano.
Assim a mistura de brancos e negros nas ruas e nas casas da cidade era possível porque a distância que os separava era infinita. O respeito e hierarquia introduziam a diferença social na vida comunal.
Hoje essa forma de habitar e organizar a cidade seria considerada promíscua. É claro que quando falamos das cidades medievais ou núcleos coloniais estamos falando de cidades com pequena população, no máximo 30-40 mil habitantes, onde se anda a pé ou de carroça. No entanto, não é apenas o aumento da população que explica a transformação deste modo de organização do espaço urbano. Examinando a história destas cidades é possível perceber que a segregação espacial começa a ficar mais evidente à medida que avança a mercantilizacão da sociedade e se organiza o Estado Moderno. Na Europa, este quadro emerge no século XVII, no projeto barroco das cidades-capitais. Nas cidades escolhidas como sede pelas monarquias absolutistas, logo o poder deste novo Estado se fazia notar através de sua presença na cidade. Grandes projetos de edifícios públicos - muitas vezes conjuntos inteiros, como Versalhes abrigavam um aparelho de Estado. A edificação destes conjuntos representava a permanência deste poder - cortes, arquivos, ministérios de finanças, burocracia - no coração da cidade.
Para aqueles cujo poder e fortuna estavam mais diretamente relacionados a estas fontes de autoridade, isto é, para os principais funcionários do Estado e para os grandes comerciantes e banqueiros, os locais de residência passavam a se separar do local de trabalho. Com isto, novos bairros exclusivamente residenciais e homogêneos do ponto de vista social começam a surgir. Este é um primeiro movimento de segregação com ele vem o bairro dos negócios (o CBD americano) e uma reconceituação da moradia, que em sua acepção burguesa vem sob o signo da prívaticidade e isolamento.
Ilustração Texto III:
Texto IV

(Do livro: "O que é cidade" – Raquel Rolnik – 1988 – Ed. Brasiliense – pág. 48)



No Brasil, este movimento é aparente no Rio de Janeiro - sede do poder imperial. O Paço de São Cristóvão e todo o bairro de elite que cresceu a seu redor, a Rua do Ouvidor com seu grande comércio e a zona portuária/popular compõem o cenário da cidade na primeira metade do século XIX.
Este movimento de segregação vai ser tremendamente impulsionado pela disseminação do trabalho assalariado. Se na relação- mestre/aprendiz ou senhor/escravo a convivência é um elemento essencial, na relação patrão/empregado esta é definida pelo salário. Com ele, o trabalhador paga seu sustento - seu teto, sua comida. Esta é a condição para que seu espaço se separe fisicamente do território do patrão. Isto se dá porque se rompe um vinculo e porque cada qual comprará no mercado imobiliário a localização que for possível com a quantidade de moeda que possuir.
Em algumas cidades brasileiras a crise da escravidão e a expansão do trabalho livre – isto é, o final do século XIX – vão marcar este impulso segregador.
Em São Paulo, por exemplo, está e a história dos Campos Elíseos, Higienópolis e depois a Avenida Paulista, obras da burguesia paulistana enriquecida com o capital gerado pelo trabalho nos cafezais. Esta é também a história do Brás, da Barra Funda, da Lapa, bairros de mulatos e imigrantes, trabalhadores assalariados da cidade.
É interessante observar que a segregação se impõe a nível da constituição de territórios separados para cada grupo social, é também sob seu império que se reorganiza o espaço de moradia. O lar - domínio de vida privada do núcleo familiar e de sua vida social exclusiva - se organiza sob a égide da intimidade. Isto implica uma micropolítica familiar totalmente nova e ao mesmo tempo significa uma redefinição da relação espaço/privado público na cidade. Examinando o loteamento de Higienópolis em São Paulo ou Copacabana no Rio de Janeiro, é possível notar que a casa se afasta da rua e dos vizinhos, ganhando e murando seu lote ao redor. Dentro, há uma espécie de zoneamento dos cômodos segundo funções e ocupantes precisos - sala disto, sala daquilo, quarto disto, quarto daquilo. Dentre os cômodos da casa uma nova região é demarcada: a sala de visitas, lugar que se abre para receber um público previamente selecionado. A vida social burguesa se retira da rua para se organizar à parte, em um meio homogêneo de famílias iguais a ela.
A gênese desta arquitetura do isolamento fez parte da redefinição de noção de espaço privado e público que ocorre neste momento. Para a burguesia, o espaço público deixa de ser a rua - lugar das festas religiosas e cortejos que engloba a maior variedade possível de cidades e condições sociais - e passa a ser a sala de visitas, ou o salão. Do ponto de vista do modelo burguês de morar que se esboça com estas mudanças, "casa" e "rua" são dois termos em oposição: a rua é a terra-de-ninguém perigosa que mistura classes, sexos, idades, posições na hierarquia; a casa é território íntimo e exclusivo. Dentro da casa se estruturam locais cujas ainda mais privativos - a zona íntima, cujas paredes definem os contactos por sexo e idade. Assim, é fechado no quarto da casa isolada do bairro homogêneo e exclusivamente residencial, que o indivíduo está totalmente protegido da tensa diversidade da cidade.
Do ponto de vista da micropolítica da família, algumas mudanças importantes ocorrem no território familiar. A mulher - afastada da produção e do contacto com os assuntos do mundo exterior – acaba virando "a rainha do lar", uma especialista em domesticidade. Por outro lado, as crianças que até então viviam desde pequenas no mundo dos adultos aprendendo na prática o que necessitariam para sobreviver, passam a ser separadas por grupos de idade e mandadas à escola.
O que acabamos de descrever é o padrão burguês de habitação; sabemos que, na verdade, tornou-se norma para o conjunto da sociedade, mas sabemos também que no território popular a superposição de funções e o uso coletivo do espaço é estratégia de sobrevivência. Portanto o que vai caracterizar esta cidade dividida é é, por um lado, a privatização da vida burguesa e, por outro, o contraste existente entre este território do poder e do dinheiro e o território popular. A questão da segregação ganha sob este ponto de vista um conteúdo político, de conflito: a luta pelo espaço urbano. Para os membros da classe dominante, a proximidade do território popular representa um risco permanente de contaminação, e desordem. Por isso deve ser, no mínimo, evitado. Por outro lado, o próprio processo de segregação acaba por criar a possibilidade de organização de um território popular, base da luta por trabalhadores pela apropriação do espaço da cidade.
Vimos como a história da segregação espacial se liga à história do confinamento da família na intimidade do lar, que, por sua vez, tem a ver com a história da morte do espaço da rua como lugar de trocas cotidianos, espaço de socialização. Vimos também como as ruas se redefinem em vias de passagem de pedestres e veículos, como a casa se volta para dentro de si e lá dentro se fecha e esquadrinha a família. Esta reorganização espacial, introduzida pela necessidade da segregação na cidade, tem uma base econômica e uma base política para sustentara. Do ponto de vista econômico ela está diretamente relacionada à mercantilização ou monetarização dos bens necessários para a produção da vida cotidiana. A moradia passa a não ser mais uma unidade de produção porque os bens que nela eram produzidos se compram no mercado. Por outro lado o bairro residencial exclusivo é possível e a superdensidade dos bairros dos trabalhadores é cada vez mais real exatamente porque a terra urbana é uma mercadoria - quem tem dinheiro se apodera de amplos setores da cidade, quem não tem precisa dividir um espaço pequeno com muitos.
Do ponto de vista político, a segregação é produto e produtora do conflito social. Separa-se porque a mistura é conflituosa e quanto mais separada é a cidade, mais visível é a diferença, mais acirrado poderá ser o confronto.
Ilustração do Texto IV:
Alunos do 3º EM - 2012

Imagine - John Lennon

Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
você se juntará a nós
E o mundo será como um só
Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de humana
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo
Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo viverá como um só